GOOGLE FONTS

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Yuin Chien

Yuin Chien

"Depois do Creative Lab, fiquei envolvida numa força tarefa para criar guidelines de design dos produtos da empresa, que foi uma grande iniciativa de Larry Page para unificar a marca Google."

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Introdução por
Rodrigo Saiani (Plau)

O Google Fonts, para quem se manteve em estado de suspensão criogênica pelos últimos 6 anos ou caiu nessa entrevista de paraquedas, é o serviço criado pelo Google com a missão fundamental de disseminar e distribuir as webfonts – fontes feitas para uso em sites e outras aplicações digitais.

Em sua mais recente atualização, novidades na engenharia – fontes mais rápidas – e design – melhor apresentação das famílias tipográficas – trouxeram holofotes novamente para o serviço que já ultrapassou 2.6 trilhões de pageviews.

Falar sobre o Google Fonts é olhar aspectos importantes que definem o serviço e como sua existência afeta a vida tanto de seus usuários como a dos designers de tipo que criam famílias tipográficas para o serviço. O Google o descreve como um veículo para uma web mais bonita, rápida e democrática. E em muitos aspectos sua missão é cumprida com êxito.

Para o usuário final é uma verdadeira mão na roda, que permite que as fontes sejam adicionadas com pouquíssimas linhas de código e/ou conhecimento técnico. Partindo da robusta infra-estrutura e capilaridade do Google e com acesso fácil e gratuito, basicamente não havia como o serviço não dar certo.

Talvez não seja claro para todos, mas as famílias tipográficas disponíveis não foram desenhadas pelo Google, e sim comissionadas de uma grande quantidade de designers de tipo independentes. É da comunidade de criadores de fontes – além de usuários avançados – que vem algumas críticas ao GF. Essas críticas vão da qualidade estética e técnica das fontes ao formato ou ao fato que a empresa colaborava com designers principiantes no início do projeto, fazendo com que a percepção de qualidade deixasse a desejar. Mas é importante notar que a plataforma também impulsionou a produção tipográfica de designers hoje reconhecidos no mercado.

Fontes são softwares trabalhosos para se criar. É preciso compreensão de princípios óticos, dominar curvas beziér ter um lado engenheiro para garantir que o resultado final funcione bem. Ao comissionar os designers, o Google usa muitas vezes o velho argumento da visibilidade para pagar um valor considerado baixo por muitos designers estabelecidos para o desenvolvimento de projetos complexos. Tudo isso é relativo e o mercado é livre e em se tratando do Google, não é de se surpreender que desde o primeiro dia o GF atraiu muitos interessados por criar fontes para a plataforma, seja pelo interesse pelo software aberto, seja pelo sonho de ver seu trabalho usado por milhões de pessoas mundo afora.

A nova versão do sistema demonstra que o serviço ficou mais maduro em diversos aspectos. Ricas discussões em fóruns especializados sobre tipografia destacam que a abordagem do serviço está mudando de quantidade para qualidade. Fontes que continham imperfeições estão sendo revistas e atualizadas e designers de renome estão embarcando na criação de projetos para a plataforma, casos da mono-espaçada Space Mono da Colophon Foundry ou a cromática Bungee de David Jonathan Ross, além de um cuidado especial com linguagens não latinas, que recebem cada vez mais atenção e bons produtos finais.

Conversamos com a designer de interface do Google Yuin Chen, que nos contou um pouco mais sobre seu trabalho à frente da nova geração do Google Fonts.

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Yuin Chien
Breve apresentação

Meu nome é Yuin Chien, nascida e criada em Taiwan. Sou designer e desenvolvedora em San Francisco, e atualmente membra do time de Material Design no Google.

Você tem graduação em Science in Electrical Engineering, e acredito que isso seja mais relacionado a códigos e ciência da computação do que design como a gente conhece. Como o design se tornou parte da sua vida?

Eu dediquei muito tempo da minha vida revelando filmes de fotografias numa sala escura, durante minha graduação. Tinha zero interesse em me tornar uma engenheira. No ano que fui júnior, aprendi sobre o trabalho desenvolvido por John Maeda no seu grupo de pesquisas no MIT Media Lab, e minha obsessão por códigos iniciou daí. Sempre fui apaixonada por design e artes visuais e então decidi que queria ter um MFA (Master of Fine Arts) no Art Center em Pasadena.

Qual sua história no Google? Como você chegou lá?

Eu entrei no Google Creative Lab em New York como membra do Google 5, que é um programa que recruta jovens talentos a pensar grande e colaborar com outros maravilhosos criativos. As vezes eu brinco sobre eu ser a contratada que representa a diversidade, porque a maioria das pessoas que eu conheci durante a entrevista eram altas e homens brancos. Eu era tipo “as possibilidades estão em meu favor”. Bom, além disso, meu projeto de tese foi falando sobre investigar a relação humana com a tecnologia através de uma série de interfaces imaginativas e subversivas. Um deles é o “Search Operators”, também conhecido como “Sloppy Google”, que ilustra a bizarra realidade do Google sendo preguiçoso, irresponsável e dislexo. Imagina se a tecnologia fosse imperfeita como os seres humanos são? Como seria a nossa vida? De alguma maneira eles gostaram do meu trabalho. Também achei que New York + Google seria divertido.

Depois do Creative Lab, fiquei envolvida numa força tarefa para criar guidelines de design dos produtos da empresa, que foi uma grande iniciativa de Larry Page para unificar a marca Google. O time cresceu ao longo dos anos e nosso trabalho evoluiu para o que chamamos hoje de Material Design.

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Google office in San Francisco / Google
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Google office in San Francisco / Google

O que você acha que é o melhor de estar no Google?

Para mim são as pessoas. Eu trabalho com pessoas maravilhosas, que são talentosas, divertidas e inspiradoras. Viajamos juntos para festivais de arte exóticas, para o caribe e aqui e acolá fazemos umas tortinhas criativas!

Como você pessoalmente define essa nova atualização do Google Fonts?

É nossa obrigação fazer com que excelentes tipografias estejam acessíveis a todos. Trabalhamos muito no design do produto, engenharia e introdução de novas fontes para mais idiomas. Houve muita tração desde o lançamento em Junho desse ano. As pessoas amaram o novo design do site, e temos visto que o uso diário aumentou mais que 10%. Foi ótimo também ver que nossa última fonte submetida, a Space Mono pela Colophon, foi usada na campanha no Kickstarter de Gary Hustwit, sobre o documetário de Dieter Rams.

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Google Office in San Francisco / Google Careers
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Google Fonts grid / Google
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Como as tarefas foram distribuídas na equipe do Google Fonts?

Existem três áreas principais de trabalho: design, engenharia e gerenciamento de conteúdo (a submissão e introdução de fontes novas e atualizadas). O time é pequeno mas está espalhada por New York, San Francisco e Mountain View. Todos sabem o que fazer no seu trabalho. Fazemos uma estreita colaboração para definir prioridades e ter certeza de que lançamos projetos que nós sentimos orgulho.

Quais são os maiores desafios quando se um site para milhões de usuários e bilhões de pageviews hoje em dia?

O desafio do design é de entender as diferentes necessidades dos seus usuários e surgir com soluções simples que sejam tanto visualmente perfeitas quanto funcionais. Isso envolve muito teste com usuários, repetidas vezes. Criar produtos na escala do Google significa trabalho de equipe, e boa comunicação é a chave para que cada projeto avance suavemente.

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“Reimagining Google Fonts” por Yuin Chien Leia mais

De que forma você acha que o Google Fonts colabora na carreira de type designers, especialmente os mais jovens?

Google Fonts tem o histórico de trabalhar com designers mais jovens desde que foi lançado, em 2010, sendo 20% do projeto. Cerca de 15% da contribuição são de jovens talentos vindos da América Latina. Quando estávamos desenhando o novo site, uma das prioridades máximas era promover type designers da melhor forma possível, e ressaltar o impacto do trabalho deles. No págian de espécimens atual, as pessoas podem ler a biografia do designer e aprender sobre a uilização da fonte através de visualização de dados.

Desenvolver as fontes que disponibilizamos é uma colaboração em conjunto que vai sempre acontecer. Estamos ansiosos para trabalhar com jovens designers talentosos e fabricantes renomadas ao redor do mundo para publicar novas fontes.

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Gráfico presente em todas as páginas internas, mostrando os países que mais utilizam determinada fonte.

ntrodução por Rodrigo Saiani, designer de tipos e fundador da Plau, estúdio de design carioca que atua na interseção entre branding, design de tipos e cultura empreendedora. Artigo publicado por Gláuber Sampaio em Outubro, 2016.

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