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Sound City Project David Vale

Sound City Project4

David Vale

O Sound City Project nasceu de uma idéia simples e fomos construindo e adequando o projeto de acordo com as necessidades.

Breve Apresentação

Meu nome é David Vale, sou Diretor de Design em uma agencia digital chamada Firstborn em Nova York, e eu gosto de criar coisas.

Pelo que pude perceber, nesse projeto você alcançou uma grande realização pessoal, que foi além das habilidades notórias em design: o de construir e prototipar algo físico e real. Você já tinha alguma habilidade e background necessário pra realizar algo assim? e quais os maiores desafios enfrentados enquanto você idealizava o protótipo?

O Sound City Project nasceu de uma idéia simples e fomos construindo e adequando o projeto de acordo com as necessidades. Existe todo um processo para capturar áudio em 3D. Você precisa dos microfones certos (binaural), da distância certa, de um suporte que imita uma cabeça humana e por aí vai. Até dá para encontrar modelos prontos para se comprar por aí (bem caros, diga-se de passagem). Mas como precisávamos de 4 microfones gravando simultâneamente para tornar a experiência possível, acabamos criando o nosso próprio modelo.

O meu background é Design Gráfico, e eu não tinha a menor experiência manipulando áudio ou fazendo protótipos e foi onde o Caco entrou no projeto. O Caco (Sound Designer) fez uma pesquisa legal sobre 3D sound, quais seriam os equipamentos necessários, a forma certa de gravar, entre outras coisas, e me passou tudo. A partir desse ponto foi a parte mais legal do projeto, onde pude passar meus finais de semana fazendo os protótipos, testando, aprimorando e repetindo o ciclo.

Esse projeto foi como um hobby para mim. Então ia fazendo com calma e sem muito stress. Acho que o maior desafio, não só do protótipo mas de todo o projeto, era se no final das contas iria funcionar. Eu já tinha visto algumas experiências com 3D sound, mas nada em 360º e interativo da forma que queríamos. Era um sentimento de “desconhecido” que ia me empurrando para frente.

O símbolo tem algum significado especial?

Eu queria que o símbolo representasse áudio de alguma forma. Na primeira versão, eu usei as “barrinhas” de áudio para formar uma linha do horizonte de Nova York. Achei legal a combinação de “áudio + cidade”, mas fiquei me debatendo se nao era muito simples e óbvio. Por um lado o símbolo é de facil assimilação, mas por outro lado não é único, pois vários designers chegaram ao mesmo resultado.

Passei uns bons 2 meses sem tocar no logotipo, até finalizar o design do site. O site tem uma pegada bem tipográfica e resolvi adicionar este elemento ao símbolo. Resolvi unir as “barrinhas” de áudio com o “C” de city, o que ficou interessante mas a composição não ficou tão legal. Resolvi tentar com o “S” de sound, ficou bem foda e é o que acabei escolhendo.

Você quis que o visual do site fosse baseado em Jazz e Art Déco, que teve grande popularidade nos Estados Unidos na época, e até hoje dá ao país esse ar de “velho e novo” ao mesmo tempo. Você acha que se estivesse ainda no Brasil teria seguida um estilo diferente do que você fez? Como o país te influenciou nisso?

Acho que Nova York me influenciou bastante, principalmente nas cores e na escolha da tipografia. A princípio eu estava focando em capturar os sons somente de NY, mas o projeto foi crescendo e expandindo para outras cidades.

Quando as pessoas falam em design brasileiro (pelo menos aqui nos EUA), se referem a formas orgânicas, várias cores, etc. Acho que independente de estar morando aqui ou em qualquer lugar do mundo, o projeto teria o mesmo tom escuro e minimal de hoje. Eu queria que as pessoas focassem na experiencia de áudio, e não em imagens coloridas ou elementos contrastantes na tela. “It’s all about the sound”.

Uma das coisas que mais gostei no site é como a interface funciona, as movimentos etc. Por ter várias acontecendo ao mesmo tempo, acredito que isso afeta o desempenho da página. Como você e o Rick trabalharam juntos nisso? Houve alguma metodologia pra desenvolver o site? Houveram funcionalidades que foram deixadas de fora?

Existe toda uma programação por trás do site que a maioria das pessoas não se dão conta, e especialmente na parte de WebAudio. O Rick e eu trabalhamos juntos em vários projetos na Firstborn e nos damos muito bem. No meio do Sound City Project, ele teve que voltar para Amsterdam, o que tornaram as coisas um pouco mais difíceis. Enquanto eu estava fazendo o protótipo em 3D, ele estava fazendo o protótipo 360º do site. Enquanto ele estava estudando a melhor forma de agrupar os arquivos de áudio e minimizar o tempo de download, eu estava finalizando o layout do site e criando conteúdo.

Resumindo, estávamos sempre envolvidos em diferentes partes do projeto até os ultimos 2-3 meses, que foi quando o Rick começou no design e motion do site. A partir deste ponto falávamos praticamente todos os dias, trocando emails, arquivos, referências e idéias. Eu curto trabalhar com devs que são criativos e te entregam algo muito melhor que você esperava. O Rick é um desses caras!

Uma das coisas que abrimos mão foi ter o site em mobile. Até que estava funcionando e as animações eram fluidas, mas depois de uns 2-3 minutos o browser fechava. Estamos para lançar dois updates no site e um deles é ter o site adapatado para o mobile, o que vai ser bem legal.

Passeando pelo Google, parece que a imprensa recebeu e avaliou muito bem o projeto, dando destaque principalmente ao protótipo que você cirou para capturar o som em 3D. Como você reagiu à vários canais falando sobre isso? Era algo que você já esperava?

Pessoalmente foi uma surpresa ver o projeto em tantos sites de nome como Forbes, Fast Company, The Creators Project, etc. Para mim este projeto era um hobby que tirava a minha cabeça dos trabalhos da agência e me dava a oportunidade de criar algo novo e gerar um conteúdo que eu gostaria de consumir, como você faz com o CreativeDoc.

O que eu tirei de tudo isso foi que o design/motion é irrelevante quando o coteúdo não é bom. Nós “criativos”, que trabalhamos com design, motion e desenvolvimento, acabamos focando muito no “craft” e esquecemos do conteúdo, o que é o que a maioria das pessoas querem consumir. Hoje gasto mais tempo pensando em “que conteúdo relevante posso criar para este projeto?” do que puxando pixel pra lá pra cá.

Existe algum desejo de continuar o projeto em outras cidades do mundo? Qual seria o maior desafio pra isso acontecer? Quais as expectativas par ao futuro do SCP?

O Sound City é um projeto em andamento e estamos em contato com outros colaboradores para criar mais conteúdo para o site. Como não temos ninguém patrocinando o projeto, o grande desafio para quem quer colaborar com o conteúdo é ter acesso a uma impressora 3D e ao equipamento necessário para capturar o áudio e as imagens, o que sai um pouco caro dependendo do país.